Comida de Mãe
Todas vezes em que assisto Ratatouille me emociono e fico pensando como a pesquisa que fizeram foi realmente eficiente. Só quem trabalha ou trabalhou em cozinhas de restaurantes consegue enxergar cada uma das personagens, os movimentos, as falas, a identidade, a essência daqueles que habitam as inúmeras cozinhas ao redor do mundo.
Sempre que viajo faço questão absoluta de fazer meu roteiro com feiras, supermercados, mercados e, claro, restaurantes. Os passeios quase sempre são interessantes, mas nada se iguala ao encontro com o pessoal da cozinha. Sempre que possível peço para conversar com o chef e visitar a cozinha. É nesse momento em que me surpreendo, sempre.
A surpresa vem das respostas a duas perguntas que sempre faço: porque trabalhar em uma cozinha e o que mais gostam de comer. A resposta mais presente à segunda questão é “a comida da minha mãe, da minha casa”.
A maioria dos chefs de restaurantes de alta gastronomia afirma que quer oferecer uma experiência nova, única. Mas, será que atingem esse objetivo de forma positiva? Será que há realmente essa procura por parte do público? Já passei por algumas dessas experiências e algumas delas realmente foram únicas, pois crio uma expectativa tamanha que ela nunca é atendida em sua totalidade e não volto mais…Vocês já devem ter passado por isso.
As duras feições do crítico de Ratatouille mudam ao dar uma primeira garfada em um perfeito rataouille, que lhe fez lembrar a comida de casa, da sua mãe, de sua infância. Esse é o grande desafio, oferecer não uma nova sensação, mas aquela primeira: a do conforto da comida de mãe. E essa é a grande tendência em todos os relatórios de empresas especializadas importantes.
Dificílima essa nova perspectiva da cozinha profissional. Mas, ela tem pelo menos uma coisa mais que positiva: mais do nunca qualquer um pode cozinhar! É importante entender e aceitar isso: um bom cozinheiro pode ter uma origem muito humilde, sem ter uma experiência internacional ou fazer faculdade. Precisa conhecer o ingrediente, ter comido aquele prato, ter a memória gustativa e, para isso é necessário oportunidade e talento, com o que se nasce ou não.